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Tu Farás O Bem!

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se Abraão e Lot estão ambos dentro de uma pessoa, como é que um deles é perfeito e habita na morada do Criador e o outro fica com os cruéis?

Resposta:
Pode Abraão alcançar Elon Moreh (o lugar da união com o Criador, o estado de Brit – adesão com o Criador) sem Lot? Como irá uma pessoa alcançar a santidade (a propriedade de doação) se ela não tem uma Klipa (desejo egoísta) em primeiro lugar?

Está escrito: “Eu criei a inclinação do mal e dei a Torá para a corrigir”. Não há santidade no mundo. O Criador criou a Klipa ou a intenção má e malvada. Ele não criou o bem. Ele não diz: “Eu criei a má e boa inclinação. Escolha a boa”. Pelo contrário, Ele diz: “Tu farás o bem (ao corrigir o mal que eu criei). Mas fui Eu quem criou o mal”.

Como irá o homem alcançar Elon Moreh, o lugar de sua primeira união com o Criador, se ele não tem nem Lot nem Sodoma? Ele irá alcançar este estado apenas depois de ter feito correcções. Desta forma, Lot tem de estar próximo a Abraão até que eles se separem. Contudo, Lot volta numerosas vezes. Desta maneira, uma pessoa faz discernimentos.

Sem discernimentos e correcções você não tem santidade, a qualidade de doação. A Santidade por si mesma não existe – nós construímos-a. Esperemos que tenhamos sucesso!

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabala 19/07/10, O Zohar

Como Define Você O Bem E O Mal?

Dr. Michael LaitmanO Zohar, Capítulo “VaYikra (O Senhor Chamou)”, item 87: Visto que a Torá saiu de Bina, as primeiras tábuas foram escritas a partir de Bina, quando se escreve: “Harut [gravado] sobre as tábuas”, não se lê, Harut [gravado], com um Kamatz, mas sim Herut [liberdade], com um Tzere. É realmente a liberdade, pois ela é o lugar de onde depende toda liberdade, pois não existe liberdade de todas as Klipot senão através das luzes de Bina. Além disso, não há nada na Torá que seja dividido, ou que não vá para um lugar, Malchut, ou não se reuna em um manancial, que é Yesod.

Nós somos a matéria da criação, o desejo de desfrutar, o desejo de nos realizarmos. Este desejo só é capaz de receber. Se a intenção por trás desse desejo for de “receber para seu próprio benefício”, então nós chamamos essa intenção (mas não o desejo) de “má”.

O desejo é uma matéria que não muda. Ele não pode ser considerado bom ou mau. Apenas a intenção determina se o desejo é bom ou mau. E é aí que reside a nossa liberdade de escolha.

Nós não temos liberdade de escolha em relação aos nossos desejos, nos níveis inanimado, vegetativo, e animado. Nós não podemos mudar nada em relação a esses desejos. Este fato é confirmado por todas as pesquisas científicas. A única mudança que podemos eventualmente fazer é no nível humano; nós podemos mudar a intenção por trás do desejo.

O desejo em si foi criado pelo Criador e foi dado a nós numa forma imutável. A intenção por trás do desejo que nos foi dado inicialmente é egoísta: “para o nosso próprio benefício”. Nós devemos perceber que esta intenção é má, porque é dirigida contra a união, contra a doação ao próximo, e contra a doação ao Criador.

No entanto, a nossa intenção pode ser oposta: “para o bem dos outros”, em prol da doação. Então, ela é chamada de “inclinação ao bem”. Assim, a inclinação ao bem e a inclinação ao mal, ou bem e mal, são definidos de acordo com a intenção. No entanto, a “inclinação” em si, o desejo, é imutável. Tudo é definido pela intenção no nível humano. A intenção de tornar-se semelhante ao Criador é chamada de boa, e a intenção oposta é chamada de má. A expressão da intenção ocorre através da união ou através da separação dos outros.

Portanto, de todas as minhas intenções, eu tenho que escolher apenas aquelas que me dão liberdade de escolha: a liberdade de me unir com outras pessoas através de uma intenção comum pela doação mútua. E assim nós nos tornarmos equivalentes ao Criador.

Esta é a nossa única chance de escolher o bem ou o mal, seja em relação ao nosso egoísmo ou em relação ao que o Criador coloca diante de nós. Portanto, se quisermos nos corrigir, isso só pode ser feito através de Bina, a qualidade superior de doação. Quando Bina alcança o desejo de desfrutar, ela transforma sua qualidade má nua qualidade boa, ou seja, ela muda a intenção de recepção em intenção de doação.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabala 17/05/10, O Zohar

Cada Pessoa Tem o Seu Próprio Egito

Dr. Michael LaitmanUma pergunta que recebi: Eu sinto-me mal neste momento, ao passo que está escrito que o Criador é “O Bom que faz o bem” e “Não há ninguém além D’Ele”. Como eu transformo este sentimento negativo em positivo, de forma a verdadeiramente sentir que o Criador é o bom que faz o bem?

A Minha Resposta: Se você transformar o seu desejo num bom desejo, você irá sentir que Aquele que causou tudo isto para si é também bom e faz o bem, de acordo com a lei da equivalência de qualidades. Está escrito: “Até mesmo quando a espada afiada for erguida sobre ti, tu não desesperarás na Sua bondade”. Afinal, tudo isto vem do Criador e cada pessoa recebe um “coração endurecido” (como o Faraó, cujo coração foi endurecido pelo Criador) de forma a escapar do seu estado de Egipto.

Dois Anjos No Mesmo Caminho

upperO Zohar, Capítulo “Ve’Eleh Toldot Itzhak (Estas São As Gerações de Isaac)“, item 172: Como Jacob confiou no Criador e todos os seus modos eram para o Seu nome, seus inimigos fizeram as pazes com ele. E Samuel, que é o poder e a fortaleza de Esaú, fez as pazes com Jacob. E como ele fez as pazes com Jacob, ele agradeceu as bênçãos, e Esaú também fez as pazes com ele.

Porém, enquanto Esaú não fez as pazes com esse encarregado que foi nomeado por ele, que é Samuel, Esaú não fez as pazes com ele. Isso porque em todos os lugares, o poder de baixo depende do poder de cima. E enquanto o infrator acima não está enfraquecido, que são os ministros nomeados sobre eles acima, é impossível enfraquecer o infrator abaixo neste mundo.

É proibido para uma pessoa pensar que existem forças que trabalham contra ela, forças que resistam à obra do Criador e não querem que ela atinja a meta da criação. Não há tal coisa. Todas as forças, tanto da linha direita quanto da linha de esquerda, trabalham juntas para o mesmo objetivo. Nós acreditamos que o mal vem para nos destruir e nos enganar, mas isso não é verdade. O mal existe para nos mostrar os nossos erros, para que possamos ver quando fazemos coisas que são opostas à meta. Essa é a missão dos dois anjos, mau e bom: acompanhar a pessoa no caminho para o objetivo da criação.

Como Entrar na Ciência Cabalística

clip_image001Você não sabe qual fase está atravessando enquanto estuda O Zohar, e não há necessidade de se preocupar com isso. Seu único objetivo é usar O Zohar como uma “ferramenta milagrosa”.

Se você se sente bem ou mal, se este livro lhe atrai ou lhe afasta, tente continuar. A paciência e a continuidade neste caminho é o que lhe trará sucesso.

A coisa mais importante é desejar atrair a Luz da Correção, que irá afetá-lo de modo que você começará a sentir e perceber a conexão entre o estudo e esta Luz. Isso não será mais um milagre, mas se tornará um sistema revelado. Aos poucos, você entenderá como ele funciona e como está estruturado; como a Luz pode afetá-lo e mudar seus desejos, pensamentos e intenções.

Além disso, você verá de que modo você afeta o Sistema Superior que brilha sobre você, bem como de que forma os seus desejos e intenções podem evocar mais ou menos Luz. Você começará a ter consciência desse sistema. Assim como em qualquer área de estudo, inicialmente a pessoa estuda apenas as conexões externas, sem saber por que as coisas são como são. Mas, depois, ela penetra mais profundamente no sistema, começa a senti-lo, e constrói um modelo dele dentro de si. Assim, ela começa a viver nesse novo mundo.

Portanto, nós só podemos entender a espiritualidade através da construção de uma equivalência com ela dentro de nós. Se eu quero entender como qualquer máquina ou sistema funciona, então não basta apenas estudá-lo de fora. Eu preciso construir o seu modelo dentro de mim, para sentir e compreendê-lo com a minha mente. Então, eu entenderei como ele funciona.

No entanto, quando eu construo o modelo espiritual, eu tenho que adquirir primeiro as forças e qualidades, e depois usá-las para construir um modelo do sistema espiritual. Em outras palavras, eu preciso adquirir propriedades espirituais e, em seguida, o sistema crescerá gradualmente e se revelará em mim.

Então eu não precisarei mais fazer esforços no sentido de forçar-me a estudar. Eu vou entender todo o sistema dos Partzufim, Sefirot e mundos, e como afetá-los propositadamente.

Desta forma, eu entrarei na ciência Cabalística e entenderei o que O Zohar está falando. Ele irá guiar-me e dizer-me: “Vá lá, volte aqui, e veja como isso funciona”. É assim que eu aprenderei.

Eu sentirei este sistema e trabalharei com ele e todos os Partzufim, mundos e Sefirot. Eu começarei a revelar a sua força interna, chamada Criador.

Vendo o Mal Como Bem

clip_image001[6]O Zohar, Capitulo “Ki Tissa,” Item 16: “Todos os que estão em cólera contra você serão envergonhados e desonrados”. O Criador está destinado a fazer para Israel todo esse bem, que Ele disse através dos profetas da verdade, e pelo qual Israel sofreu grandemente no exílio. Não tivesse sido por todo esse bem que eles esperam e vêem, que está escrito na Torá, eles não seriam capazes de tolerar e suportar o exílio.

Isto significa que a pessoa ganha um desejo maior pela correcção, chamado “Isra-el” (directamente ao Criador), ao antecipar a bondade e a abundância que virão mais tarde. Além do mais, o seu desejo cresce ainda mais forte quando ela ganha uma conexao inicial com essa bondade.

No nosso mundo, a pessoa tem vontade de saber que irá receber uma recompensa futura por seu sofrimento. Mas, na espiritualidade, esse não é o caso. Lá, a pessoa não recebe alivio psicológico ao pensar que o mal se transformará em bondade. Aquele que estuda a Cabalá relaciona-se a isto diferentemente. Quando a pessoa está no caminho da verdade, ela sabe que o mal está lá para ajudá-la a alcançar a bondade. Ela vê que o mal está, na verdade, dentro dela. e ela tem de corrigí-lo, em vez de simplesmente enfrentá-lo. Então, em vez do sentimento do mal, ela sente bondade.

Uma pessoa não espera um golpe de sorte para seguir um ruim, mas sabe que o “golpe de má sorte” que experimenta é a revelação do mal dentro dela, que ela tem de revelar e, então, corrigir. Desta maneira, ela alcança a bondade interiormemente. Não é que o sofrimento ocorra num lugar e a recompensa apareça noutro, ou que ela faça um esforço ali e receba o pagamento acolá. Em vez disso, ao levar a cabo a correcção, ela transforma a “inclinação ao mal” na “inclinação ao bem” – e essa é a recompensa.

É por isso que a pessoa se rejubila quando os “ímpios são revelados” – porque isto lhe dá algo sobre o que trabalhar e corrigir. É graças a este trabalho que ela alcança a espiritualidade, o Criador, a propriedade de doação. Todavia, tudo acontece no mesmo lugar: no desejo de desfrutar.

O Bem e o Mal São Estados Espirituais

g20Quando eu revelo as forças perversas dos mundos espirituais, chamadas Klipot, e as forças do bem opostas a elas (como está escrito, “O Criador criou uma diante da outra – a maldade diante da santidade), então eu atinjo um nível de existência dentro desses sistemas paralelos de mundos do bem e do mal. Assim, sinto o céu e  o inferno um diante do outro. É impossível sentir  um sem o outro.

Esperemos alcançar tudo isso e nos tornarmos os “pecadores” dos quais fala a Torá. Ser um pecador significa existir em oposição ao seu estado de “justo”, que é quando você cambaleia entre o “pecador” e “justo”, alternadamente, tornando-se um e depois o outro. “Ziguezagueando” desta forma, a pessoa avança mais.

Tudo isso se refere ao sistema dos mundos espirituais que estamos enfrentando. Não há nada lá que se assemelhe às imagens coloridas do céu e do inferno com as quais a religião tem nos amedrontado. Nós devemos nos libertar de todas essas superstições primitivas e percebermos que nada pode acontecer com o nosso corpo após a morte, além da desintegração, pois o corpo não é mais que uma matéria formada de proteínas.

Nós temos que compreender que há somente duas forças que atuam dentro de nós – a recepção e a doação. No entanto, elas podem ser chamadas por muitos nomes diferentes. Tudo é constituído por elas e tudo existe apenas em nós.

Um nome é um desejo (HaVaYaH) com a Luz (Ohr Pnimi) nele, o qual foi alcançado por um ser humano. Um nome sagrado refere-se à qualidade de doação, e um nome perverso refere-se à qualidade de recepção. Até mesmo o nome do pior vilão descrito na Torá refere-se a uma revelação do Criador, mas do lado oposto; ele se refere à qualidade do egoísmo dentro da pessoa. Todos os nomes benéficos referem-se à revelação de Seu “rosto”, a bondade, a qualidade da doação dentro de uma pessoa. Tudo isto fala sobre a revelação do Criador dentro do homem.

Todas as forças do bem e do mal agindo “acima deste mundo” são a revelação das forças do Criador, tanto na Sua frente quanto no Seu lado oposto, como Moisés disse: “E você verá as Minhas costas, mas não verá a face”.

Nada existe além da criação e do Criador, e o Criador pode ser ocultado ou revelado à criação. A nossa tarefa como criação é revelar o Criador – a única força atuante no universo. Todo o resto, que agora percebemos como um “mundo externo”, também está dentro de nós, mas nos nossos desejos que ainda não foram revelados.

Esta é a imagem que devemos imaginar. Nós devemos entender que nada é pior do que o nosso estado atual, o estado de completa separação do Criador. Em outras palavras, o nosso mundo é o pior dos mundos (estados).