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Expandindo A Nossa Percepção : Opostos Podem Ser Verdadeiros

Dr. Michael LaitmanIsaac é a força que se desenvolve em oposição à Abraão e serve como “ajuda contra ele”. Nós começamos a descobrir que a espiritualidade não é uma força única como se pensava. Nós somos incapazes de entender como duas opiniões opostas podem coexistir e ambas serem verdadeiras. Além disso, não entendemos que é exatamente nessa colisão e disputa se revela a verdade. Nós achamos que tudo deve ser definido de forma clara e direta.

Entretanto, nós começamos a perceber que as coisas não são tão claras como havíamos percebido. Quando nós começamos a trabalhar com a nossa qualidade de “Isaac” e a corrigimos,  começamos a perceber que as coisas não são tão diretas como tínhamos percebido antes, através do nosso egoísmo. Em outras palavras, tudo o que vimos através do nosso egoísmo foi o desejo de desfrutar e o prazer oposto ao desejo, mas agora vemos que há uma linha esquerda e uma linha direita. Além disso, ambas podem ser verdadeiras e corretas, que nos ajudam a avançar. Por outro lado, ambas podem se contradizer; no entanto, as duas têm lugar na criação, porque estão ligadas ao Criador.

Com efeito, ambas as qualidades de “Isaac” e “Abraão” estão incluídas dentro de nós: a qualidade de recepção da pessoa, por meio da qual ela continua a ser uma criatura existindo separadamente do Criador; e acima dela uma qualidade de doação, que se adquire do Criador. Conseqüentemente, sempre haverá um conflito interno entre estas duas forças dentro da pessoa. Assim, somente elevando Isaac e Abraão conseguimos compreender a nossa verdadeira posição em relação ao Criador. É por isso que a palavra “filho” (Ben) significa “compreensão” (Leavin), que é Bina, um novo grau.

O Elevador Espiritual

visionComo funciona o “elevador espiritual”? É como uma incrível escada rolante em que estamos todos conectados, de tal maneira que todos podem ajudar uns aos outros a ascender. Cada pessoa tem a sua metade superior dentro do Nível Superior, e a sua metade inferior dentro do nível inferior.

Desta forma, cada um de nós está sempre conectado ao Nível Superior, porque a parte superior do seu Partzuf espiritual (Galgalta ve Eynaim) entra na parte inferior (AHP) do Grau Superior.

Contudo, uma pessoa sente o AHP do Nível Superior como escuridão, pois este é mais doador. Um grau maior de doação é sentido como escuridão, pois não o queremos. Todavia, se uma pessoa supera o seu egoísmo e se torna “pequena” ao usar apenas Galgalta ve Eynaim, apenas os Kelim de doação, e se ela deseja se conectar com o Nível Superior, independentemente do que está a acontecer nesse nível, então ela cancela o seu ego (AHP), o desejo egoísta. Se uma pessoa não o deseja sentir, como se ele não existisse, então ela conecta-se ao Superior e eles tornam-se um todo. O seu Galgalta ve Eynaim (Keter e Hochma) e o AHP do Superior (Bina, Zeir Anpin, e Malchut), juntos, formam um Partzuf completo com as dez Sefirot completas (Gadlut de Min Ha Aleph).

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O Superior, por sua vez, tem o mesmo tipo de conexão com o Superior em relação a ele. Desta maneira, nós todos nos unimos e operamos como um corpo comum. Todos nós estamos conectados como uma corrente, em que todo o elo atravessa outro elo, e ambos partilham uma parte comum. A única diferença entre uma corrente normal e nós, é que não há qualquer partes livre  da corrente das nossas almas – a minha parte superior está sempre conectada ao Grau Superior, e a minha parte inferior está conectada ao grau inferior. Não há nada em mim que esteja livre de estar conectado com uma parte ou outra. Eu estou sempre completamente conectado a todos os outros; na verdade, esta é a todaa minha essência.

A nossa salvação reside em nos tornarmos conscientes desta conexão. É por isso que, independentemente do meu estado, independentemente de eu me sentir bem ou mal, eu devo sempre dirigir-me às pessoas que precisam de mim para ajudá-las. Elas são as pessoas que aspiram pelo mesmo objectivo que eu. Se eu me unir com elas, eu irei ser capaz de absorver toda a energia que elas têm. Eu tenho tudo o que preciso para fazer isto, porque estou conectado a elas; eu só preciso despertar esta conexão.

Se uma pessoa se encontra num estado em que não compreende ou sente nada, ela é indiferente e experimenta a escuridão, e ela está num mau humor; isto significa que ela não é suficientemente activa. Tudo depende dela, porque tudo o que ela precisa já foi preparado para ela.

Quando a Escuridão e a Luz se Tornam uma Unidade

adjacentTudo vem do Criador, a Força Superior. Ambas a Luz e a escuridão vêm d’Ele, como está escrito: “Ele que criou a Luz e a escuridão”. “Quando desejo revelá-lo, eu tenho que tomar essas duas forças e as unir corretamente. Agora mesmo elas parecem opostas uma a outra e eu não entendo como duas forças opostas podem vir da mesma fonte – por exemplo: bem e mal, luz e escuridão, impureza (Klipa) e santidade, que se encontram em luta constante.

Então, como é possível uni-las? No nosso mundo frequentemente vemos qualidades e ações que são diametralmente diferentes umas das outras – aquelas que são maravilhosas e boas, ou más, repulsivas e horríveis. Como é possível combiná-las e atribuir a elas uma mesma fonte – o Criador?

Na espiritualidade essas divisão e diferença entre as qualidades são muito maiores que no nosso mundo. Apesar disso, temos que construir um sistema interno que conecte essas forças opostas, porque assim é como elas realmente existem – em paz e harmonia, uma complementando a outra. Nenhuma delas pode existir sem a oura.

Ao construir esse sistema dentro de mim, eu começo a entender sua raiz, a ver de onde vem essa oposição e o que realmente está acontecendo. Nós ainda não entendemos isso. Isso não faz sentido para nós até que ganhamos a habilidade de construir a nós mesmos acima do Machsom, na espiritualidade. Até lá, nós podemos estar em um extremo ou em outro, ou separados dos dois, mas somos incapazes de estar em unidade e harmonia com duas forças opostas.

Ao trabalhar para unificar duas forças opostas em mim, eu construo um ponto de contato entre elas, um sistema onde elas se unem a despeito de serem opostas. Nenhuma anula a outra, como acontece no nosso mundo; ao contrário, elas duas alcançam total harmonia. O espaço que eu construo em mim é meu “eu”, minha alma, que é igual ao Criador.

O Criador é um, mas em relação a mim Ele se separa em duas forças – uma positiva e outra negativa, um mais e um menos. Eu conecto essas duas forças em mim em um único sistema, e acontece que esse sistema que eu construo entre o mais e o menos é completamente igual ao Criador.

Dessa maneira, eu alcanço o Criador através de Suas ações. Eu com isso construo em mim um ser humano que é semelhante ao Criador. Eu sou um no sistema de Malchut, e eu sou como o Criador no sistema de Keter. Todo nosso trabalho repousa no alcance dessa equivalência.

Todas as Diferentes Religiões são Reflexo da Nossa Desunião

Todas as crenças que ultrapassam os limites das crenças mais primitivas sobre as forças da natureza, chegaram até nós a partir da ciência Cabalística. A ciência Cabalística se originou da revelação da Força Superior por Abraão, que reconheceu a relação entre o Criador e todos os níveis do desejo.

No nível mais inferior do desejo, isso se expressa como os “presentes” que Abraão deu aos filhos de suas concubinas, os quais ele enviou ao Oriente. Esta é a origem das religiões orientais, que estão muito próximas da natureza e do corpo do homem.

Um método diferente opera no 4º nível do desejo, o mais elevado e egoísta. Este é o método que Abraão ensinou ao seu grupo de alunos, que mais tarde se transformou na nação de Israel (Isra-el significa “direto ao Criador”). Quando seus alunos (a nação de Israel) caíram do seu nível espiritual de doação e amor ao próximo, para o nível do egoísmo e do ódio mútuo (conhecido como a queda do Segundo Templo), então, a fim de substituir a Cabalá – “A vida com o Criador”, as pessoas propuseram a religião Judáica (Judaísmo), que é a vida sem a sensação do Criador.

Quando o desejo das pessoas foi corrigido e usado para a doação e o amor, as pessoas sentiram o Criador e a Vida Superior dentro desse desejo. Mas quando esse mesmo desejo caiu da doação para a recepção, para a intenção egoísta “para mim”, as pessoas começaram a sentir apenas este mundo. Isto é, quando a Cabalá (sensação, realização e revelação) foi trocada pela religião (fé, misticismo e tradição).

Portanto, a religião Judaica é uma marca (impressão) da ciência Cabalística e do desejo de doar, dentro do desejo de receber quebrado (a quarta camada de desejo). As centelhas desta quebra caíram em outras camadas de desejo; é assim que a terceira camada formou o Cristianismo e a segunda o Islamismo. Estas religiões foram criadas de acordo com a forma como as pessoas compreenderam a marca da Cabalá em seu desejo egoísta. Isso também esclarece que, segundo o plano do Criador, a humanidade deve atravessar essas fases de desenvolvimento egoísta, a fim de realizar a sua oposição ao Criador, seguindo o princípio: “O valor da Luz vem da escuridão”.

Todas as religiões, crenças e credos (que somam cerca de 3800 em todo o mundo) vêm dos diferentes modos de se imaginar o Criador dentro do desejo egoísta, em todas as suas formas. É por isso que existem tantas abordagens religiosas diferentes no mundo, e nenhuma delas se entendem entre si. Porque todas vêm da divisão da Cabalá em diferentes religiões – a mudança da sensação de unidade para a sensação de desunião.

No passado, a quebra do Nível Superior (a queda do Segundo Templo) revelou as relações sociais egoístas, a atitude egoísta do desejo comum em relação ao Criador, o que fez com que surgissem todas as religiões e crenças. Entretanto, se nós, aqueles que têm o ponto no coração, corrigíssemos agora a conexão entre nós nesse nível superior, seríamos capazes de corrigir todas as religiões e crenças. Então, tudo passará a integrar a unidade com o Criador.